Mensagem da Comissão

           

Estas festas são as maiores…São as Nossas.

 Desde tempos imemoriais que a festa faz parte da vivência do ser humano. O culto pelo religioso e pelo profano caminharam, desde sempre, de mãos dadas, desconhecendo-se, um pouco à imagem da história do ovo e da galinha, quem deu origem a quem. E mesmo o culto em locais essencialmente, diria mesmo, restrito ao estritamente religioso, como é o caso do Santuário de Fátima, ou aqui bem mais perto a peregrinação à Senhora da Aparecida, em Balugães, os devotos, embora acatando e cumprindo com maior ou menor zelo as regras impostas nos respectivos espaços, não se coíbem de, nas viagens de ida e volta, dar largas à sua alegria e fazerem desses percursos mais uma festa. Ora as festas da Senhora da Boa Morte e Senhor do Socorro são a imagem real destas duas formas de expressão do sentimento humano que louva festejando e que festeja louvando.  

Dizíamos na revista Correlhã em festa do ano transacto “A Senhora da Boa Morte é muito mais que uma romaria anual com música e foguetes, tascas e diversões, danças e folias que se esgotam em três grandes dias de festa”. Referíamo-nos, no caso concreto, à organização das festas, aos cuidados e trabalhos quase diários a ter com toda a sua envolvência, tarefas estas que, de forma livre e responsável, havíamos assumido.

Porém, a desgastante, mas nem por isso menos gratificante, experiência que vivemos no primeiro ano de vigência, trouxe-nos um conhecimento muito mais aproximado e abrangente deste verdadeiro fenómeno que são as nossas festas grandes da Correlhã. Longe estávamos de imaginar que aquilo que dizíamos num determinado contexto se ajustaria como uma luva à forma como grande número de pessoas da nossa Terra se entrega e vive as suas festas.

Por isso, esta comissão de festas, no seu segundo ano de mandato à frente dos destinos desta Irmandade, quer fazer a apologia do brilhantismo e bairrismo das gentes da Correlhã. Só quem está por dentro da organização das festas consegue ter a percepção exacta da colaboração deste povo num sentimento de entrega despretensiosa e gratuita, na disponibilidade sempre pronta e sincera, na ajuda imprescindível à realização das nossas festas da Boa Morte. Só com esta crença e este querer, as festas de Nª Senhora da Boa Morte e Senhor do Socorro persistirão através dos tempos. A Correlhã transforma-se num grande rio de unidade e trabalho empenhado que jorra em direcção ao Monte da Nó onde a Senhora da Boa Morte a todos espera para acolher no seu regaço protector de Mãe e abençoar na Missa da Festa. Há um fervilhar de emoções que, e permitam-nos utilizar uma metáfora musical, vai passando pelas várias dinâmicas desde o piano ao mezo forte e que, no apogeu das festas, se propaga num fortíssimo apoteótico.

                Mas este povo, cioso das suas festas e merecedor do orgulho que ostenta, sabe ainda cultivar a elegância de receber com prazenteira hospitalidade os forasteiros que ano após ano nos visitam. Sabe que a festa também lhes pertence, quer pela incomensurável devoção à Virgem, quer pela generosidade das suas esmolas.

                Por tudo isto, somos tentados a publicar neste livro o nome próprio de todos aqueles que connosco fazem a festa. Só não o fazemos porque correríamos inevitavelmente o imperdoável risco de omissão. Mesmo assim, queremos registar e agradecer aos patrocinadores e anunciantes, aos que entregando as suas dádivas optam pelo anonimato, passando pelos grupos organizados nos lugares para trabalharem para o cortejo e não esquecendo as senhoras das mesas dos andores e do sublime arranjo floral do Santuário para o dia da festa. A nossa gratidão é também extensiva aos contratadores de gado agentes de uma actividade em declínio e que num esforço redobrado continuam a garantir a continuidade da nossa conceituada e tão apreciada feira. De referir ainda os que, sendo naturais de freguesias circundantes e residentes na Correlhã, se disponibilizam para acompanhar as mordomas nos peditórios, também os voluntários tractoristas, electricistas, trolhas, jardineiros/as, picheleiros, pintores, grupos tradicionais e folclóricos da freguesia, fotógrafos, enfim, o povo.

                Guardem convosco para sempre a certeza que esta comissão de festas vos registará no livro das suas consideradas gratidões.

           E porque as festas 2011 estão a chegar por aí, ergamos, em uníssono, as nossas vozes para gritarmos bem alto numa atitude de arreigado Correlhanismo - Estas Festas são as maiores…São as nossas.

 

A Comissão de Festas 2011